Skaf reúne empresários para discutirem com Bolsonaro o enfrentamento ao Coronavírus

O encontro, realizado por videoconferência, reuniu mais de 20 grandes grupos empresarias que se prontificaram a ajudar o governo federal nas demandas de saúde

Agência Indusnet Fiesp

Na tarde desta sexta-feira (20/3), o presidente Jair Bolsonaro falou a um grupo de empresários de diversos setores produtivos em reunião organizada pelo presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, no Conselho Superior Diálogo pelo Brasil. O encontro foi realizado por videoconferência e teve como tema as ações de enfrentamento ao novo Coronavírus e também os impactos econômicos para o país. Ações a que o presidente Skaf comparou à preparação para guerra. “O senhor terá todo nosso apoio para combater esse inimigo desconhecido, com o qual agora estamos em guerra. Neste momento a centralização do comando das ações pelo Governo Federal deve ser feita com agilidade e eficiência”.

Skaf afirmou que é necessário tratar das duas crises, a da saúde e a econômica. “Se não combatermos a primeira não poderemos vencer a outra. O momento é de união e a iniciativa privada quer participar, não para pedir nada, mas para ajudar, para dar, para solucionar os problemas”, afirmou o presidente da Fiesp/Ciesp. Ficou decidido que Skaf e o ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, farão a interlocução entre empresários e a Presidência da República.

O presidente Jair Bolsonaro abriu a reunião fazendo um apelo para que o setor produtivo do país não pare diante da pandemia do novo coronavírus. Ele reforçou que a economia não pode parar. “Não podemos entrar em pânico, temos que tomar as medidas que forem necessárias, mas sem histeria. Este é o exemplo que procuro dar em todas as ações que eu tenha pela frente. Temos quase 12 milhões de empregados e esse número vai crescer. E se crescer muito, outros problemas colaterais surgirão, cujas consequências podem ser até maior que os do vírus”, afirmou Bolsonaro.

Skaf anunciou medidas que as entidades mantidas pela indústria de São Paulo poderão fazer, sendo uma delas a determinação de que a escola do Senai na Vila Leopoldina, especializada em manutenção de equipamentos hospitalares e biomédicos, contribua por meio da manutenção de respiradores. “O Senai-SP também vai produzir mais de um milhão de litros de álcool em gel para ser distribuído gratuitamente a asilos e comunidades carentes e 600 mil máscaras, e o Sesi-SP contribuirá oferecendo 5 mil leitos em suas escolas na Grande São Paulo”.

O presidente Bolsonaro reiterou a importância da economia continuar funcionando. “Fechamento de estradas e aeroportos, como estão isoladamente decidindo outras autoridades, nos Estados, não são procedentes, porque além de levar pânico à população, prejudicam o transporte de itens essenciais”, disse ele. Vários empresários relataram ter a mesma preocupação e falaram da necessidade de manter a cadeia de suprimentos de itens, como comida, produtos de higiene e equipamentos médicos, funcionando, para que não faltem à população.

“A palavra de ordem é serenidade, neste momento. Confinamento foi a palavra de ordem na China. Aqui temos de fazer o máximo possível para que o vírus não passe de um lugar para o outro e o confinamento é fundamental para diminuir a quantidade de pessoas infectadas, mas não podemos impedir o trânsito de mercadorias e pessoas”, disse Abílio Diniz, presidente do Conselho de Administração da Pensínsula Participações. Lorival Luz, CEO da BRF, complementou: “Não podemos fechar vias e nem a livre circulação de pessoas e mercadorias que são necessárias para a manutenção da vida, como insumos e alimentos”.

Cristian Gebara, CEO da Vivo disse que estão fazendo o possível para manter as comunicações funcionando. Recebendo pedidos municipais e estaduais e se dispôs a sincronizar as ações com o governo federal também. “Podemos identificar manchas de calor onde as pessoas estão, de modo confidencial, e podemos contribuir com essas informações, sem invasão de privacidade. Isso pode ajudar a identificar foco de concentração de pessoas”, sugeriu.
Por fim, Bolsonaro agradeceu o apoio dos empresários e destacou sua importância para a busca de soluções para o futuro do país. “É reconfortante saber que uma classe tão importante quanto a dos senhores se oferece para as necessidades de um povo que contava quase sempre, no passado, apenas com o Governo Federal, e esse oferecimento de vocês engrandece a todos nós e mostra o espírito humanitário do povo brasileiro”, elogiou.

Empresários que participaram da Videoconferência
Abílio Diniz, Presidente do Conselho da Administração da Península Participações
Candido Pinheiro, Presidente do Conselho de Administração da Hapvida
Carlos Sanchez, Presidente do EMS e Presidente do Conselho de Administração do Grupo NC
Carlos Zarlenga, Presidente da GM da América do Sul
Christian Gebara, Presidente e CEO da VIVO
David Feffer, Presidente do Conselho de Administração da Suzano S.A
Edson Queiroz Neto, Presidente Grupo Edson Queiroz
Elie Horn, Fundador e Presidente do Conselho de Administração da Cyrela
Eugênio De Zagottis, Vice-presidente do grupo Raia Drogasil e Presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drograrias – ABRAFARMA
Flávio Rocha, Presidente das Lojas Riachuelo S.A
Jean Jereissati Neto, CEO da AMBEV
Jerome Cadier, CEO da Latam Airlines Brasil
Juliana Azevedo, Presidente da Procter & Gamble Brasil
Lourival Nogueira Luz Junior, CEO BRF
Luiz Carlos Trabuco, Presidente do Conselho de Administração do Bradesco
Marcelo Melchior, Presidente da Nestlé
Martus Tavares, Vice-presidente de Assuntos Corporativos da Bunge Brasil
Patrick Mendes, CEO do Grupo ACCOR
Paulo Moll, Diretor da Rede D’Or
Rubens Ometto, Presidente do Conselho de Administração da Cosan
Thierry Fournier, Delegado Geral da Sain Gobain no Brasil, Argentina e Chile

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